terça-feira, 20 de abril de 2010

Dr. Doom






Quem é que nunca viu um filme em que exista um génio do mal?
Hum? Levantem os bracinhos vá, não sejam tímidos. Ok Ray Charles, podes baixar o braço, tu não contas.
Toda a gente os conhece, sejam do 007, do Austin Powers, ou de tudo o que é filme com agente secreto. No entanto, todos eles cometem erros (normalmente estúpidos), que levam à sua aniquilação. Vamos por-nos no lugar do génio do mal, e realizar uma pequena lista de como criar um domínio maligno de forma segura.
(a partir daqui a coesão interfrásica é quase inexistente)

Primeira coisa, depois de usurparmos o trono ao nosso irmão gémeo, NÃO é uma boa ideia mante-lo vivo nas masmorras, com uma máscara de ferro. Nah nah, é melhor executá-lo e atirá-lo ao mar por via das dúvidas. Depois, claro, iríamos remodelar a nossa base maligna. É sempre uma boa ideia contratar um grupo de arquitectos para verificarem se existem passagens secretas das quais nós não tenhamos conhecimento, e assim evitar surpresas desagradáveis, como por exemplo, um tipo a entrar no nosso "Inner Sactum" (leia-se quarto), por um alçapão.

É sempre uma boa ideia manter um número elevado de armas tradicionais, para além das metralhadoras laser dos nossos guardas. Assim, caso os heróis consigam desactivar a energia que activava as armas laser, os nossos guarda-costas não serão derrotados por um grupo de selvagens armados com paus e pedras.
NUNCA construir máquinas que sejam indestrutíveis excepto num ponto que seria "impossível de alcançar". A história diz-nos que isso nunca correu bem.
Claro que há coisas que são óbvias. Por exemplo, quando contratamos conselheiros, é sempre uma boa ideia, de vez em quando, ouvir os seus conselhos. Quer dizer, se são os melhores que o dinheiro pode comprar, as suas ideias não devem ser más de todo. Por exemplo, caso um deles diga: "Mas, meu mestre, porque é que arrisca tudo num esquema tão louco e arriscado?" devemos parar imediatamente o plano em questão, até possuirmos uma resposta à pergunta.
É também uma boa ideia termos uma noção das nossas virtudes e fraquezas. Normalmente, o simples pronunciar da frase "NÃO É POSSÍVEL, SOU INVENCÍVEL" resulta normalmente na morte imediata.

NUNCA dizer a frase: "Antes de te matar, há uma coisa que quero saber".

Uma característica interessante dos heróis é a sua persistência. Quando finalmente conseguimos que o herói seja capturado, e o trazemos à nossa presença, para termos o prazer de o executar pessoalmente, provavelmente ele irá dizer: "Por favor, antes de me matares, conta-me o teu plano". A resposta deverá ser "Não", e um balázio na cara. Hm, pensando melhor, um balázio na cara, e só depois "Não".

Continuando com dicas de sobrevivência, é importante que as fugas sejam efectuadas o mais rapidamente possível, ou seja, é proibidissimo parar para fazer uma pose dramática e dizer uma frase espectacular.
Se repararem, os guardas tem SEMPRE uma pontaria horrível. Nunca ninguém consegue acertar com uma única bala no herói. Assim, os MEUS guardas (reparem na mudança para a primeira pessoa), serão treinados durante meses com diversos tipos de arma. Quem não for capaz de atingir um objectivo a 10 metros será utilizado como alvo.
Devemos também evitar ficar furiosos com facilidade e matar um soldado que nos traz más noticias. Hoje em dia é difícil encontrar bons mensageiros.
O fair play deve ser dispensado. Caso possuamos uma super-arma, é uma boa ideia utilizá-la logo que possível, em vez de esperar para a utilizar nos últimos segundos.
Quando capturarmos a namorada do herói/princesa (somos maus, é essencial fazer isso), caso ela diga "NUNCA vou casar contigo, estás a ouvir? NUNCA!" a atitude mais indicada é responder "Oh well", e mandar executá-la. Não faltam mulheres bonitas a querer casar com tipos ricos e poderosos.
É importante utilizar a inteligência para enganar o herói. Por algum motivo somos génios do mal. Assim, é uma boa ideia que nos mapas, a sala que na legenda está indicada como sendo o "Centro de Controle" será na realidade a "Sala de Execuções". O centro de controle estará marcado como "Esgotos".
Caso seja necessário testar a lealdade do nosso braço direito, é melhor ter um esquadrão de snipers pronto a disparar caso a resposta seja um não.

Na eventualidade de o herói fugir para o telhado da nossa base, já ferido, é proibido persegui-lo para combater com ele. O mesmo deve ser aplicado a locais perto de precipícios. (No meio de uma ponte suspensa sobre um rio de lava não vale sequer a consideração)

Nunca ordenar às nossas Legiões do Terror (grande nome): "CAPTUREM-NO VIVO!". É muito mais seguro dizer "Capturem-no vivo caso tal seja razoavelmente praticável".

No momento em que lutarmos pessoalmente contra o herói em cima de uma plataforma em movimento, caso o nosso oponente se deite de súbito, é essencial fazer o mesmo, em vez de olhar para trás com um ar intrigado para descobrir o que é que ele viu.
Nada de planos cujo passo final seja extremamente difícil, do género "Alinhe as 7 pedras do poder na Montanha da Perdição, durante um eclipse total". No lugar disso, usaremos o "Carregue no botão."
É extremamente importante que os nossos soldados das Legiões do Terror tenham pelo menos três meses de férias após trabalharem durante um ano, pagas por nós, o génio do mal. O seguro dental e médico também estará incluído no nosso contrato, e será aplicável aos familiares mais próximos do soldado. De 5 em 5 anos receberão aumentos, e prémios monetários pelo seu bom desempenho. Qualquer empregado que sofra um acidente durante o seu trabalho para nós (a partir de aqui vou voltar a utilizar apenas a primeira pessoa. Sinto-me um megalómano egocêntrico --,) receberá uma pensão vitalícia, a não ser que o acidente tivesse sido da sua responsabilidade. Em casos de despedimento, o trabalhador será indemnizado e receberá ainda uma carta de recomendação. Ser benevolente com os empregados evita traições desnecessárias.

A manutenção será efectuada pelo próprio pessoal da base. Qualquer "canalizador" ou "electricista" vindo do exterior será imediatamente encaminhado até às masmorras.

Os planos maléficos serão mantidos em pens com a etiqueta "Receitas da avozinha", na gaveta da secretária, enquanto que uma outra pen com a etiqueta "Plano: Aniquilação" será mantida num sistema de alta segurança, com lasers e tudo a que um sistema de alta segurança tem direito. No interior dessa pen estarão os vírus mais horrendos que o dinheiro possa permitir criar. Claro que os computadores da minha base estarão protegidos contra esses vírus, e a colocação dessa pen em qualquer sistema electrónico levaria à activação de raios mortíferos.

Apesar da deliciosa ironia, não irei forçar dois heróis a lutarem um contra o outro numa arena.

Claro que tenho o direito de executar subordinados que me pareçam demasiado inteligentes, fortes ou maliciosos, e que consequentemente, possam ameaçar o meu poder. No entanto, não vou dizer posteriormente "Estou rodeado de imbecis incompetentes!"

Os tenentes serão classificados em três categorias: não-fiáveis, fiáveis, e completamente fiáveis. Escusado será dizer que o último título só será entregue postumamente.
Nada de fazer alianças com grupos que não possa trair facilmente. Partir do principio de que os grupos aos quais nos aliamos também seguem essa regra.

Fazer planos nos quais a Parte A consiste em fazer o herói ajudar-me sem se aperceber e a Parte B consiste em rir-se maleficamente dele e deixá-lo a sós com a armadilha supostamente letal na qual este caiu por conta própria está expressamente proibido.

Nunca enviar exércitos de esqueletos e robôs enfrentar heróis que tem problemas morais em relação a matar seres vivos.

Irei poupar a vida a alguém que salvou a minha no passado. No entanto, este contrato não é vitalício. Se querem que os poupe outra vez, é bom que me salvem de novo.

Caso tenha decidido que irão existir duas execuções no mesmo dia, uma do herói, e outra de um soldado traidor, farei questão de que no horário, a execução do herói seja o espectáculo de abertura.

Adoptar uma rapariguinha de 3 anos e tratá-la como se fosse minha filha. Assim, caso o herói consiga entrar nos meus aposentos, com intenções de atentar contra a minha integridade física, eu pedir-lhe-hei para explicar à minha querida filha o porquê da necessidade da morte do seu pai. Quando o herói estiver perdido nos seus dilemas morais, activarei o alçapão debaixo dos pés deste que leva ao poço dos crocodilos. Caso o herói salte em frente e escape da armadilha, gritando "AHA! Julgavas que me enganavas com um plano tão básico?" eu responderei simplesmente "AHA! Isto também activa os lança-chamas atrás de ti!".... Hum, pensando melhor, é melhor simplesmente não dizer nada, para ver a cara de surpresa do herói ao sentir as chamas nas suas costas. Posteriormente será fuzilado, por prevenção. Só depois de ser cortadoàs fatias e atirado aos crocodilos já cozinhado pelos lança-chamas é que me permitirei soltar uma gargalhada maléfica.

E por último, nunca, NUNCA dizer a seguinte frase: "DEIXEM-NO, A VIDA DELE É MINHA, MUAHAHAHAHA!"

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